Ampliando Horizontes - Richard Simonetti

O grande temor do pensamento religioso é de que os avanços científicos acabem por eliminar a ideia de Deus, impondo uma concepção materialista para o universo e a vida.

         O Espiritismo nos ensina que não devemos temer a Ciência. Não obstante seus desvios, ela é de inspiração divina.

         Embora separadas no estágio atual, Ciência e Religião caminham em linhas paralelas que fatalmente se encontrarão, quando os religiosos forem mais racionais e os cientistas menos pretensiosos.

         E há perguntas que a Ciência jamais conseguirá responder, enquanto não aceitar a existência de um Criador.

         Admita-se que o Universo começou a partir de uma grande concentração de energia que deu origem ao big-bang.

E daí?

Quem produziu essa energia? 

Quem instituiu as leis que regem a matéria? 

         A matéria, normalmente entrópica – tende à desordem –, organiza-se, favorecendo o aparecimento da vida, que se multiplica e se desenvolve, até produzir um ser capaz de exercitar a razão.

         Aparentemente, uma contradição.

         Quem a programou para isso?

         Na criação da matéria, na sustentação das leis naturais e na perfectibilidade dos seres vivos, forçosamente há um idealizador, um planejador e executor.

O cientista, irracionalmente, fantasiará – acaso.

O religioso, inteligentemente, equacionará – Deus.

         Pessoas há que, olhando as misérias humanas, as injustiças sociais, a confusão do Mundo, questionam:

         – Se Deus existisse, justo e sábio como o exaltam, nada disso deveria acontecer.

         É que na Terra enxergamos precariamente.

Observamos detalhes do programa divino, sem uma visão abrangente e objetiva. Se abrirmos um ovo choco ficaremos nauseados com aquela massa disforme, sanguinolenta, e o odor fétido.

         Mas, se esperarmos alguns dias e deixarmos a Natureza seguir seu curso, veremos um dos fenômenos mais belos da Vida:

A casca do ovo será rompida de dentro para fora e surgirá adorável pintainho.

         O mesmo acontece com os homens, nesta incubadora divina que é a Terra.

         Habitantes de Mundos mais evoluídos que nos visitem, ficarão horrorizados com os resquícios de animalidade que prevalecem em nosso comportamento, sustentando a confusão das coletividades e o sofrimento das pessoas.

         Todavia, trata-se de mera contingência. Criados para a angelitude, estamos “em gestação”, às voltas com os complexos mecanismos de nossa evolução.

         Um dia, daqui a milhares de anos, quando a Humanidade houver completado sua formação espiritual, superando a animalidade, “nasceremos” finalmente, cumprindo gloriosa destinação, rumo à angelitude.                                                                                                                                                         

         Se você, leitor amigo, situa-se entre as pessoas infelizes, doentes, deprimidas, desorientadas, que procuram alívio no Espiritismo, talvez possam parecer-lhe ociosas, distantes de seu interesse e de suas necessidades, essas informações relacionadas com o Universo e a Vida.

         Gostaria, talvez, que tudo fosse mais simples e direto. Que pudesse conquistar a paz na Terra e as bem-aventuranças no Céu, efetuando contribuições para os serviços religiosos ou submetendo-se a ritos e rezas.

         A Doutrina Espírita ensina diferente.

         Males variados que nos afligem são decorrentes de nossas imperfeições e mazelas. Por isso, para superá-los é preciso alargar os horizontes de nosso entendimento, definindo por que estamos usando um escafandro de carne, mergulhados na matéria densa.

         Consideremos, nesse aprendizado, algo fundamental:

         O nascer da Humanidade para as glórias da Criação poderá levar milênios, com a promoção de nosso planeta na sociedade dos Mundos.

         Não obstante, individualmente, podemos nascer desde a presente encarnação, a partir de três iniciativas básicas:

         O estudo, buscando uma visão objetiva do Universo e da Vida.

         A reflexão, o empenho de fazer repercutir o conhecimento em nosso comportamento, procurando padrões mais nobres, mais espiritualizados.

         A prática do Bem, em todos os momentos de nosso dia, na vivência do sagrado princípio evangélico, enunciado por Jesus, registrado por Mateus (capítulo V), que resume a Lei e os Profetas, segundo o Mestre, isto é, resume todo o conhecimento passível de nos realizar como filhos de Deus:

 

 

          Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também a eles.